Mais uma vez a minha incontrolável vontade de falar me mete em apuros. Não acredito que ainda uso (inconscientemente?) as palavras como uma ferramenta de culpa - não em mim, fique claro. As palavras são coisas terríveis. Elas são capazes de criar um caos. Podem destruir pessoas. Já destruíram demais o meu chão e eu já rachei a base de outros também. Eu prometo controlar a minha verborragia desnecessária. Não posso mais machucar os outros com as minhas palavras. Ontem eu (re?)percebi (novamente?) que uso as minhas palavras como uma chantagem. Não é justo torturar alguém. Quero pedir desculpas se realmente pareceu uma chantagem. Não tinha intenção de ser tão cretino assim (também não quero jamais ser, se você me entende)
Afinal, já me machuquei antes e já machuquei alguém. Não há prazer que possa surgir desse tipo de coisa. Quem sou eu para fazer isso? O que ganho com isso?
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Esse abismo
O domingo começou com uma vontade feliz de sair. Sorriso com um tom de felicidade, pois achei que tudo daria certo. Nada que meia hora não pudesse transformar. Deparo-me com a silenciosa decepção de que não posso mesmo voltar aos meus 18 anos e reconstruir tudo. É impossível agora buscar as sementes e plantá-las novamente (será que Claudia e Frieda de The Bluest Eye teriam feito algo assim por mim também?). Percebo que essa decepção não torna meu domingo ruim, mas sinto que deveria fazer algo. Entretanto, estou parado, imóvel, still. Não quero enfrentar isso agora. Não agora.
Você realmente precisa de mim ou é uma fantasia que criamos? Se você realmente quer ALGO, o que significa esse abismo que eu senti hoje de manhã? Você precisa de asas ou simplesmente um voo sem destino? Um futuro ou um presente? Sempre esses zumbidos que não se calam.
Meu café esfriou e estou enjoado. Depois decido se irei ao cinema mesmo.
domingo, 27 de junho de 2010
A coincidência das coisas
O dia amanhece e para comprar o jornal. Café preparado, Sheryl Crow no rádio, mexo o papel e me deparo com uma matéria sobre o Rodrigo Leão. O que isso tem a ver comigo? Muito pouco. Apenas lembro de um e-mail que recebi dele criticando e elogiando alguns escritos meus. Criticou um trabalho pela falta de suporte teórico, apesar de ter elogiado a criatividade e a escrita do mesmo. Elogiou também uns dois poemas do Inferno dos Maremotos Pequenos.
É estranho ter tido tão pouco contato e me sentir inquieto com esse nome. Descanse em paz, Rodrigo.
Termino meu café e troco o CD. Agora toca "Tom's Diner". Tem uma ligação com a coincidência.
domingo, 9 de maio de 2010
Quanto vale uma vida?
Eu achava que sabia o quanto uma vida valia. Estava enganado e vivi assim durante um bom tempo. Uma vida não vale pelos momentos bons, nem pelos momento ruins. Não vale pelos risos e sorrisos. A vida não vale todo o esforço que faço todo dia. A vida não vale a hora que levanto, tampouco a hora que chego em casa. A vida não vale as turmas nas escolas. Não vale as turmas no curso. Não vale o meu estresse. A vida não vale pelas caminhadas. Não vale assim. A vida vale R$70 que salvaram a vida de um cachorro de dois meses na sexta passada. A vida vale por aquele olhar. A vida valeu muito mais que a estrada de mais de 20 anos. Como posso ser tão hipócrita ao ponto de me achar o centro do universo?
Como posso ser tão egoísta?
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Água e sabão - uma teoria
Conversamos sobre filmes, música e privacidade. Fetiches, ideias e até mesmo as comidas que não gostamos. Por favor, alguém me belisca.
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Expliquei a minha teoria sobre como a águas me assombravam nos últimos dias/meses. Água e sabão. Essa combinação que ele me chamou de "duas coisas distintas que combinam perfeitamente" e que eu confirmei que também era assim. Ressaltei a maravilha de ver como interpretamos de maneiras diferentes e que isso era o que me completava de certa forma.
No fundo, a água trouxe uma resposta que eu esperava há tempos. Um tipo de lavagem, batismo na falta de melhor termo. Água e sabão lavaram tudo aquilo que deixei pelo caminho. Sem manchas, sem problemas e sem mágoas. A lavagem chegou ao fim. Estou tão puro como Sylvia Plath em "Tulips". Só quem sem o drama. E com um sorriso por ele ter me ouvido. Sweet.
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Water flows and fills the emptiness
A void which used to lie underneath
and do I protest? Guess not.
Water washes all the stains and renews
what was left - almost dead? not so rosy.
Water and soap make life begin anew
Water - I feel the coldness of it.
there's a meaning behind it,
utterly frightening. Should I see through the water?
so crystal clear that it feels like a see-through shirt.
do you see it? do you?
really?
domingo, 24 de janeiro de 2010
Carência
É tão engraçado saber que você está carente. Muito mais engraçado saber que você sente saudades.
Então você tenta disfarçar e usa uma armadura. Busca a proteção com essa cobertura, mas não sabe se funcionará ou não. Põe uma face como alguém usa uma máscara. Então você "veste a sua raiva" (como a Paula Cole disse) e espera um resultado. No final, você é o cara mais estranho, pois ninguém mais consegue ler os seus sentimentos. Você chama isso de vitória, pois nunca percebeu que a derrota está aí mesmo. Agora você precisa sentar e esperar os problemas embarcarem no próximo avião.
Aí então, você estará desprovido de toda a sua armadura e alguém enxergará a sua carência, cara.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Existe luz no fim do túnel?
Algumas vezes eu preciso de um ouvido amigo. Um momento em que me dirão as coisas belas que preciso ouvir. Coisas que eu aceito como meu combustível. Preciso de carinho, pois estou disposto a dar atenção. Preciso de conforto também e de paciência.
Acho que preciso confiar mais em mim. Mais em meus dizeres e em minhas palavras. Mais em minhas promessas e menos nos devaneios e pensamentos.
Estou com medo de perder, mas muito mais medo de ser perdido. Existe luz no fim do túnel ou apenas as promessas esperando enterro?
domingo, 12 de outubro de 2008
Ele, Ele, Ele
Ele caminhou tão calmo e tão fora de sintonia. Seu casaco estava um pouco desarrumado - o suficiente para desandar esse olhar que eu fixei. Certamente é proposital. Certamente é algo que ele quer provocar nos outros. A porta que ele deixa entreaberta me convida para investigar o seu noturno. Olhando percebi que ele endireitou o casaco e a gola está alta, do jeito que eu gosto e sempre gostei. Acho o andar mais atraente ao sabor desse vento pseudo-frio. Enganam sobre a pureza os lábios dele. Cogito que ele nunca beijou alguém. Fantasio que ele dançou ontem. É mais palpável, pois ele parece ser o dançável. Será que só eu imagino o quão stripper ele pode ser? Será que essa minha fantasia é tão absurda que ele perderá o foco quando notar minha fixação? Eu reconheço nele o que eu procuro em mim. Uma beleza irreparável. Algo meio Dorian Gray, mas sem a parte da dor e arrependimentos. Como ele ainda está tão belo. Clichê eu dizer que a luz repousa sexy-mente nele. Não é fútil, é saber apreciar. Quão distante de explicações ele pode ser? Queria me prender ao físico, mas o metafísico habita, polui meu ar e perfuma o dele. Procuro nele o que não acho em mim: satisfação com o desarrumado. Satisfação no não-concordado.
sábado, 19 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Revolta do Subúrbio
Será mais uma das milhões de reclamações que assombram o Rio de Janeiro. Mais (alg)uma(s) da cidade maravilhosa.
O que uma pessoa que não é do RJ pode fazer? Sim, compreendo que temos uma fama um tanto quanto suja: somos o povo da balada, da night, da bebida livre, do "jeitinho", do virar-a-noite-dançando além de mil outras famas mais estereotipadas tipo praia e corpaço. O que me supreende (ainda) é como vivemos (ou melhor, sobrevivemos) nessa gandaia que é o RJ, manhã, tarde ou noite.
A magnífica night do Rio (Copélia entra: prefiro não comentar) se resume ao seguinte: zona-feia, zona-elitizada e zona. No final das contas é tudo zona, zona na zona sul, o lugar mais popular do Rio. De Copacabana à tarde e as intermináveis obras até o antes-doce-e-agora-medonho bairro de Santa Teresa, é tudo zona. Levamos o primo paulista d'um amigo para uma night no Centro da cidade. Tudo bem que concordaremos não ser o lugar mais privilegiado, mas seria o mais acessível, levando em conta as possibilidades de assalto e o hotel.
Se eu pudesse resumir, o que não quero, é dizer que o Centro só está cada vez mais dado ao nada. Um lugar tão atraente e de valor inimaginável está dados aos mendigos e urina. Caso queira usar um banco à noite você tem que estar armado no mínimo. Caso queira andar tem que olhar fixamente para o chão. Basta um desvio de olhar que você leva um belo tombo ou ao menos tropeça, entre outros plus da nossa cidade de sorte.
Depois desse desastre de noite decidimos pela manhã ir ao complexo de Copacabana. Acho que podemos fazer um paralelo entre o Alemão e Copacabana: a única diferença é que em um temos casas e no outro prédios. Aliás, temos outras diferenças no que tange a questão de educação do tipo "com licença" ou "por favor". A nossa camada popular é bem mais educada.Voltando ao complexo de Copacabana, ele parece estar sempre em obras ("para a melhoria da cidade" - segundo o cartaz), mas me afogo em poeira sempre que piso na terra da so-called gente bonita. Aquele lugar vive em obra mesmo ou é só quando piso naquelas bandas? Resolvemos passear pelo Arpoador. Então um assalto e o nosso amigo paulista descobre o que é o Rio. Passam alguns globais e menos globalizados. Pavão-pavãozinho-ou-seja-qual-o-nome está ali atrás encoberto pelo complexo de prédios que se prolonga. Vemos na outra ponta o belo Dois Irmãos, mas a Chácara do Céu está cada vez mais próxima do céu mesmo. Resolvemos ir para Santa Teresa e descansar.
Parafraseando os Mamonas: "Chegando lá, mas que vergonha! Só tinha [buraco, asfalto cedido, bonde caindo, pivetes, árvores que não sabem o que é o verbo podar, favelas etc]". Ao menos salvo a roda de samba e os ainda-praticantes. Uma bela de uma vista do Páo (Como estava escrito em várias placas na praia do Flamengo) de Açúcar. Mais bela ainda a vista de Tavares Bastos engolindo o Catete e a Glória. Ou talvez a vista do Catumbi sendo engolfado pelo maremoto de favelas ao redor. Entretanto estava o pior por vir: decidimos ir para o Botafogo Praia Shopping, o shopping que tem 257 escadas e mais uma vista do Páo. Descendo a Glória nos deparamos com o descaso público. Escadas tortas, desniveladas, prontas para derrubar as milhões de senhoras idosas que encontramos na descida. O pior foi que estávamos na "parte boa" da Glória. Medo é pouco para descrever o negro que engolia aquelas vielas. Finalmente chegamos ao espaço decadente da Rua da Glória e caminhamos em direção ao ponto de ônibus. Encontramos um mendingo que pede "o que é dele, pois ele não rouba, só quer o que é dele". Entramos no táxi para fugir daquele lugar e chegamos nos confins do Botafogo Escada Shopping. Ali dentro você vive um conto de fadas, mas ao sair você pisa na vida real. Lembro em minutos que uma amiga foi assaltada ali na porta do shopping.
No final do dia percebi que prefiro ficar em meu cantinho que não tem buracos, não tem assalto em cada esquina entre outros. É subúrbio, mas é limpinho (em termos). Porém, acho que saneamento é papo de outro dia.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Revolução Íntima
Cheguei ao fato mais dissecado: é para sempre e quero que seja para sempre. Meu objetivo é tentar fazer durar o maior tempo possível. Fazer essa sensação de segurança e de alegria persistir e ser parte da rotina. Ignorar esses avisos "eu me odeio" e "desprezível" que pendurei na minha entrada. Meu espelho não pode mais me depreciar dizendo que está na hora de uma revolução íntima. Eu é quem decido a hora de revoluções e hora de hastear a bandeira branca. Orgulho não me levará a lugar algum e esse medo não me põe para frente. O fato é que para manter essa fusão citada no início, a arma mais potente é o desapego ao que chamei de rotina: autodestruição desativada.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Gostos
Eu gosto de dias meio-ensolarados, mas com vento frio, só para ficar arrumado e não carregar guarda-chuva. Gosto de ler tudo, mas tenho uma queda irreversível por poesia. Gosto de filmes de terror e suspense, mas gosto bem mais de dramas. Não gosto de quarto desarrumado, tampouco de louça me esperando na pia. Gosto da casca do pão e da geléia de morango da Ritter. Gosto de Sylvia Plath, Lya Luft e Carlito de Azevedo, mas nunca descartei o suplemento de classificados de imóveis. Tampouco as bulas de remédio, especialmente as que me desafiam com fonte 6. Eu aprendi a gostar de Hawthorne recentemente e acho que nunca vou gostar de Paulo Coelho e de Chaucer. Gosto de ver o mar e de virar a noite vendo filmes. Gosto de pegar ônibus e admirar a paisagem, mas trem ainda me é uma batalha. Gosto de ilhas, sorvete de manga, vinho tinto seco e carinho na orelha. Gosto de cheiro de lavanda no banheiro e do Floratta in Blue. Gosto de ler as últimas páginas do livro antes de começá-lo. Gosto de inverno, verde e elevadores rápidos. Gosto de comprar livros. Não gosto de dormir à tarde. Gosto de riscos e rabiscos. Gosto de cadernos vazios e folhas pedindo preenchimento. Gosto de risadas longas e compulsivas.
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